sexta-feira, 8 de junho de 2018
Nova Bike e nova camera
Nos próximos dias, a Webcamnabike estará com uma bike nova e estreia uma nova camera. Aguardem !
sexta-feira, 23 de junho de 2017
Fenix
São 3 anos e meio desde a última postagem. Muita coisa mudou. Tenho usado a bicicleta cada vez menos em função de minha agenda pessoal.
Isso é triste !
Mas o mais triste é que nos últimos meses, semanas e mais precisamente horas, vi um renascimento na população daquele pensamento que a bicicleta é a causa principal dos problemas do trânsito e da segurança.
O higienismo se instalando na porta ao lado, o que é pior na minha porta !
Isso é trágico !
Por outro lado se diminui o uso da bike, passei a usar mais a webcam. Comecei publicar alguma coisa em video e tentar achar uma linguagem nessa midia.
Então creio que a webcamnabike deve renascer. Agora usando a webcam como video, menos em fotografia.
Por aqui colocarei a evolução da coisa.
Isso é triste !
Mas o mais triste é que nos últimos meses, semanas e mais precisamente horas, vi um renascimento na população daquele pensamento que a bicicleta é a causa principal dos problemas do trânsito e da segurança.
O higienismo se instalando na porta ao lado, o que é pior na minha porta !
Isso é trágico !
Por outro lado se diminui o uso da bike, passei a usar mais a webcam. Comecei publicar alguma coisa em video e tentar achar uma linguagem nessa midia.
Então creio que a webcamnabike deve renascer. Agora usando a webcam como video, menos em fotografia.
Por aqui colocarei a evolução da coisa.
sexta-feira, 13 de dezembro de 2013
A Falta de Educação no Trânsito por Clayton Palomares
A Falta de
Educação no Trânsito
A falta de
investimentos na educação do brasileiro reflete diretamente na
qualidade dos relacionamentos no trânsito. Agressividade e falta de
respeito pela vida é geral.
12
de Dezembro de 2013
Ontem
morreu mais um ciclista aqui em Rio Claro, ex “pacata” cidade do
interior paulista, de quase 200 mil habitantes. O lamentável
acidente choca os cidadãos, em especial a grande comunidade de
ciclistas da cidade, que possuí mais de 170 mil bicicletas, e tem
18% de sua população se locomovendo exclusivamente de bicicleta.
Manoel
Borges de Carvalho, de 58 anos, foi vítima de um motorista que o
atropelou e fugiu sem prestar socorro. Segundo testemunhas, seu
Manoel pedalava pela ciclofaixa da Av. Brasil, quando foi atropelado
por um carro no cruzamento da Av. 80, na tarde de quarta, dia 11/12.
Ele foi socorrido pelo Corpo de Bombeiros e encaminhado ao PSMI com
vida, mas não resistiu aos ferimentos.
Por
sorte, testemunhas identificaram a placa do veículo e informaram ao
Corpo de Bombeiros, caso contrário seria mais um caso impune,
fomentando o aumento da violência no trânsito. A polícia já
identificou o veículo e intimou o proprietário a se apresentar na
Delegacia.
Mais
um motorista que irá responder legalmente pelo ato cometido, com o
agravante de fugir sem prestar socorro. Pena que acontecimentos como
esse, infelizmente, já são corriqueiros e banais nos noticiários
de nosso país, inclusive com gente saindo impune em inúmeras
situações, basta ter “bala na agulha” e dinheiro no bolso
suficiente para contratar um bom advogado. Lamentável.
Ainda
pior que o próprio acidente, uma atrocidade, é perceber que existem
pessoas que concordam e promovem este comportamento monstruoso. No
grupo Rio Claro, da rede social Facebook, por exemplo, podem ser
vistos comentários de pessoas que, frente ao atropelamento,
conseguem criticar a categoria dos ciclistas esquecendo-se dos
motivos do próprio acidente. Num processo que é clara a inversão
de valores, vítimas são transformadas em algozes e quem às julga
se considera correto em sua colocação; Será pré-conceito ou falta
de informação? Talvez fobia a bicicleta e aos ciclistas?
Quem
sofre de “ciclofobia”, por exemplo, terá muita dificuldade em
respeitar e talvez, nunca consiga se colocar no lugar de um ciclista
(e isso vale para todos os tipos de fobias a qualquer tipo de meio de
transporte). Mas daí a generalizar que todo ciclista é infrator,
que eles não usam ciclovias e ciclofaixas, que são pobres,
arruaceiros e prejudicam o trânsito, chegando ao ponto de querer
atropelar um ciclista, se trata mesmo de desvio de caráter grave.
As pessoas não se dão
conta que, infelizmente, a maior arma no trânsito (além do próprio
veículo) ainda é a imprudência e o desrespeito à vida por parte
dos motoristas, não importa que veículo ele conduza.
O bom funcionamento do
trânsito no mundo contemporâneo se baseia em um tripé:
infraestrutura, educação e fiscalização. Sem infraestrutura para
transitar não haverá trânsito, ou seja, sem ruas e avenidas não
haveria fluxo de veículos nela; a educação é a responsável por
ensinar como utilizar essa infraestrutura, seguindo leis, regras e
normas para otimizar o fluxo e algumas gentilezas para garantir uma
harmonia dele; já a fiscalização serve para coibir e punir os
infratores, fazendo com que as leis, regras e normas sejam seguidas
corretamente, por TODOS.
Em
relação à falta de educação, se trata de um problema que não é
visto só no trânsito, mas em inúmeros setores de nossa sociedade.
E gente ruim também, prova disso é a existência de tantos
criminosos, psicopatas, sociopatas, capitalistas vorazes e
exploradores, pessoas com desvio moral e ético, usurpadores,
facínoras, enfim... Classifique como quiser, o fato é que existem
péssimos cidadãos que contribuem quase sempre só de forma negativa
para o mundo e para as outras pessoas, não fosse assim os presídios
não estariam abarrotados.
Assim
como os cidadãos agem diferentemente em sociedade, existem
diferentes condutas de motoristas no trânsito. Existem os
excelentes, os bons, os medíocres, os maus e alguns que vão além,
são monstruosos, como o caso de Ricardo Neis no Rio Grande do Sul,
que atropelou mais de 100 ciclistas em uma bicicletada, ou no recente
caso do outro monstro, quando fugiu após atropelar um ciclista na
Av. Paulista arrancando seu braço e o jogando em um rio... ainda bem
que os "monstroristas" são uma minoria, mas uma minoria
que assusta e mata.
Da
mesma maneira que existem “monstroristas”, existem
“cicloidiotas”, “motociclistardados”, “pedestrasnos” e
por aí afora. O desrespeito não é exclusivo de um tipo de meio de
transporte, pois o meio de transporte é só um meio, a pessoa que o
conduz é quem desrespeita as leis e os outros, não importa qual
tipo de modal esteja conduzindo. Portanto, as generalizações às
categorias (Ex.: os ciclistas isso, os motociclistas aquilo...) são
extremamente equívocas e míopes, a grosso modo, é como dizer que
todo Alemão, só por ser alemão, é “nazista”.
Fato
é que quem não está protegido por um para-choques (motociclistas,
ciclistas e pedestres) corre o maior risco. A lei é clara, o Código
de Trânsito Brasileiro afirma que o veículo maior deve prezar pela
segurança do menor, e assim sucessivamente. Mas na prática, vemos o
oposto a isso, o maior se impõe sobre o menor e assim por diante. -
Quem já levou uma fechada de um caminhão na estrada, em alta
velocidade, sabe bem do que estou falando.
Agora,
quem não tem para-choques e já foi abalroado, fechado ou cortado
por um caminhão (mesmo na mão preferencial) sabe mais ainda como é
assustador e difícil o convívio com o trânsito, principalmente
sendo desrespeitado diariamente e correndo riscos muito maiores de
atropelamento, mutilação e morte a qualquer acidente.
Dentro
deste contexto, não podemos nos esquecer de duas questões
fundamentais do trânsito, que já resolveriam muitos conflitos
existentes hoje se todos tivessem clareza: A primeira é deixar claro
que quem transita, quem precisa se deslocar, quem é transeunte, são
as pessoas e não os veículos. E a segunda, já dita, que o respeito
à vida dos transeuntes vem em primeiro lugar, independente do tipo
de modal.
Quem
já viu o trânsito da Índia ou da China, por exemplo, deve ter se
questionado “Como ele flui daquela maneira e sem acidentes?”
Trânsito abarrotado de gente, muitas bicicletas, motos, carros, ruas
sem sinalização nos cruzamentos, sem semáforos, preferenciais,
placas informativas, enfim, sem a estrutura que estamos acostumados e
cobramos que exista no mundo ocidental.
Sabe
por que nesses países o trânsito funciona? Porque existe respeito
pelo próximo, pelo seu espaço, pelo seu direito, pela sua vida,
pela diversidade. É uma questão cultural ensinada em casa desde
cedo e não nas escolas, auto-escolas ou impostas pelas autoridades
competentes. Nesses países observamos claramente que a questão
fundamental do trânsito é o respeito à vida. À sua, à dele, à
minha, à nossa.
Eu
sou ciclista, pedestre, motorista e motociclista, utilizando esses
modais com mais frequência exatamente nesta ordem. Fui atleta e já
vivenciei muitas situações ruins no trânsito, mas aprendi a me
impor. Como meu principal meio de locomoção é a bicicleta vivencio
diariamente situações de desrespeito para com o ciclista, como
fechadas, xingamentos, buzinadas e “finas”. Para quem já tomou
pedrada e laranjada nas costas enquanto treinava no acostamento, ter
um carro o ultrapassando em alta velocidade a menos de 1,5m de
distância (regulamentado por lei) não é uma coisa que espanta
mais, infelizmente. Resta a triste pergunta: “Qual será a próxima
atitude que não espantará mais no trânsito?”
Por:
Clayton Palomares, ciclista graduado em administração de empresas,
Presidente da Federação Paulista de Mountain Bike, Vice Presidente
da Confederação Brasileira de Mountain Bike e apresentador do
programa De Bike TV.
quarta-feira, 1 de maio de 2013
O batismo da Amy !
Como tradicionalmente faço, minhas bikes são batizadas com nomes de cantoras, depois de um pedal em circuito fechado.
Depois de um pedal de 10km ida e volta, a Tito Urban 700 foi batizada de Amy Winehouse.
O projeto é 1000km com a Amy até 2014 ! Ainda falta muito, mas estamos a caminho. Nos próximos POSTS detalhes da construção desta bike.
Depois de um pedal de 10km ida e volta, a Tito Urban 700 foi batizada de Amy Winehouse.
O projeto é 1000km com a Amy até 2014 ! Ainda falta muito, mas estamos a caminho. Nos próximos POSTS detalhes da construção desta bike.
sábado, 20 de abril de 2013
Que bicicleta usar na cidade?
Este Post está mais do que atrasado para ver a luz do dia.
Mas como eu mesmo digo, antes tarde do que mais tarde, vamos aos fatos, rapidamente.
Há tempos eu procurava uma bicicleta para usar na cidade que substituisse minha antiga Caloi-10 que depois do atropelamento não se recuperou completamente e não consigo alinhamento correto de algumas peças.
Depois de procurar algumas opções, resolvi tentar a Tito Urban 700.
A Tito é uma fabrica nacional que produz na China. Eles desenvolvem o produto aqui, produzem lá e fazem controle de qualidade aqui. Tito, vem de Antonio "Tito" Caloi, que é herdeiro da família Caloi. Desde 1999 a fabrica Caloi não é mais da família, mas Tito não conseguiu ficar longe das magrelas e abriu a Tito.
A Urban tem um história legal que contarei em outro POST.
Estou com a Tito Urban 700 desde Dezembro e estou gostando muito. Ela é bem leve, equilibrada. Fácil de utilizar na cidade ou em trilhas leves. E é muito elegante ! ! ! !
Minha proposta é utilizá-la por 1000km e ver como ela se porta. Só vou trocar um componente quando quebrar ou houver ameaça da segurança.
Já passei de 200km com ela e até agora ela está se portando super bem. Nenhum parafuso foi trocado.
Os pneus são aro 700 que causam certa estranheza, dada a unipresença das aro 26 nas bicicletarias. O pneus que ela usa é muito bom, liso no meio e com poucos cravos nas bordas, aguenta bem areia, pedra e não trava no asfalto. A primeira calibragem do pneu só foi necessária aos 100 km ! !
Freios v-brake, são bem adequados, mas molhados viram um sabão, as marchas Shimano 21v engatam com a bike parada e com um leve clique em botões. Não consegui o ajuste correto ainda nas marchas mais rapidas, mas acho que é falha minha.
Estou fazendo em torno de 12km/h no transito com ela. Praticamente mesmo tempo que fazia com a C-10, mas creio que esta velocidade deva subir com o ajuste correto das marchas.
A falta do "cano alto" faz lembrar um modelo feminino e é algo extremamente útil na cidade.
Mas as duas grandes vantagens da Tito Urban são, primeiro a simplicidade de uma bicicleta com apenas o essencial para a cidade e segundo o conforto. É o tipo de bicicleta que você volta para casa porque o sol está se pondo e não porque está cansado.
Selim e posição para pedalar praticamente sentado.
Então, meu caro, se você está procurando uma bicicleta simples, barata e confortável para usar na cidade, acho que você está procurando a Tito e nem sabe !
A Tito vende direto do site, comprei a minha assim, você pode achar também em algumas lojas da rede Centauro.
A Tito já apresentou outros modelos que falaremos mais pra frente.
sexta-feira, 22 de março de 2013
Pista de mountain bike de Rio Claro deve ser inaugurada em breve
“Dirt Park Rio Claro” - nome dado pelos ciclistas na rede social Facebook – deve ser inaugurado em breve, segundo a FPMTB – Federação Paulista de Mountain Bike o evento reunirá ciclistas da região para uma demonstração à população do que é a modalidade e dos projetos que serão implantados na pista.
Após uma longa espera a pista de Mountain Bike construída no canteiro central da Av. Brasil, em Rio Claro, está em faze final de obras e já vem passando por testes, como o que acontecerá neste domingo, dia 24, das 14 às 18h.
A FPMTB – Federação Paulista de Mountain Bike em parceria com a Prefeitura Municipal realizarão um evento de inauguração que reunirá atletas de todo estado, além de músicos, grafiteiros e autoridades locais para trazer atividades a toda população no local que deve ser entregue em breve aos munícipes.
O local possui três pistas de Pump Track e comportará 04 linhas de Dirt Jump (Kids, Iniciante, Amador e Profissional), modalidades consideradas de base e formação para todas as especialidades do ciclismo, mountain bike e bicicross.
O evento de inauguração será no estilo “Jam”, premiando o best trick (melhor manobra) e acontecerá nas linhas Iniciante e Amador, que já estão assentando e estarão finalizadas em Abril. Os Pump Tracks também estarão abertos para uso e já se encontram em funcionamento sendo utilizado pelos alunos da Escola de Bicicleta.
No momento o local já está atendendo a Escola de Bicicleta que funciona através de uma parceria entre a Prefeitura Municipal e a equipe Velo/SEME/Giant Rio Claro de Ciclismo, atendendo crianças, jovens e adolescentes de 06 a 17 anos todas as terças e quintas, das 09 às 11h e das 15 às 17h, e aos sábados, das 09 às 12h. As aulas são gratuitas, com a obrigatoriedade dos pais (ou responsáveis) inscreverem os menores no setor de matrícula da Secretaria Municipal de Esportes (anexo ao ginásio Felipe Karan). Maiores informações pelo telefone (19) 3533-5433 (é obrigatório que a criança vá de tênis).
Assim que a linha profissional da pista for construída, ela será a maior pista de Dirt Jump do país, e uma das três maiores das Américas, e o melhor, a pista foi construída através de parcerias e doações articuladas pela prefeitura e pela FPMTB, praticamente sem custos para o município. Desde a terra, o start gate de alvenaria, tubulações, alambrado, entre outros foram doados por parceiros, sem custos para o município.
Embora o nome do local ainda não tenha sido definido pela Prefeitura, os ciclistas que já estão utilizando e realizando testes junto a FPMTB deram o nome de “Dirt Park Rio Claro” e,inclusive, criaram uma fanpage do local na rede social Facebook (http://www.facebook.com/dirtparkrioclaro) onde discutem assuntos relacionados a pista.
“A idéia é que o local seja aberto ao público durante a semana e aos sábados com horário definido e acompanhamento de monitores capacitados da FPMTB, além de uma escola de bicicleta que irá atender gratuitamente crianças, jovens e adolescentes ensinando noções de trânsito, direção defensiva e pilotagem. A Federação e a Secretaria Municipal de Esportes estão acertando os últimos detalhes desta parceria que beneficiará diretamente o esporte e a cidade de Rio Claro.” – Afirmou Clayton Palomares, presidente da FPMTB.
Texto e Fotos: FPMTB
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013
Relato do Audax 200k da Kelly Priscila em Floripa.
Conheci Kelly Priscila na faculdade onde eu dava aulas. Sempre parava pelo guichê onde ela atendia para conversarmos sobre qualquer coisa e tudo mais. Sempre de bem com a vida, sorriso aberto e ligada no 220. Ela saiu da faculdade antes de mim e foi para Florianópolis. Graças aos milagres da tecnologia, essa distância não impediu de conversarmos de vez em quando nas redes sociais.
Quando soube que ela completou o Audax 200k já pedi um depoimento, até porque já tinha lido textos dela e gostado muito. Depois umas cobranças, ela me mandou o texto que segue, que posto praticamente sem alteração para não tirar a emoção das palavras.
Preparativos:
Há
muito tempo tinha vontade de participar de um Audax, mas sempre, por
um motivo ou outro, acabava procrastinando. Foi assim em abril de
2012, quando fiz a inscrição mas acabei não a efetivando pois
escolhi participar de uma corrida de rua aqui da cidade.
Quando
fiquei sabendo da prova do dia 09 de dezembro de 2012, não perdi tempo: fiz
a inscrição, paguei a taxa e tratei de me preparar.
Pedalo
desde que me conheço por gente. Há uns 10 anos, porém, essa
prática ficou ainda mais constante e, de uns três anos para cá,
pedalo todos os dias, treinando triatlhon e
também utilizando a bicicleta como meio de transporte aqui na ilha.
Depois
de fazer a inscrição, me surgiu a dúvida: 100 ou 200 km? Fiz a
inscrição nos 200, sendo que poderia mudar para os 100, caso
quisesse, até o dia anterior ao evento, na retirada do kit. Sabia
que tinha força pra conseguir os 200k, mas quis tirar a prova: no
final de semana anterior ao Audax,
fiz um longão
de 120 km e o resultado foi positivo. - Se deu pra fazer 120k, 80k a
mais eu consigo também – pensei.
Escolhi
fazer a prova com a minha speed,
uma Merida Road 903. Dias antes, uma super revisão, pneus novos,
estoque de câmaras de ar e pronto. A minha parte "máquina"
estava pronta.
Durante
a semana me deparei com um problema significativo, pelo menos para
mim: na lista dos inscritos, nenhum conhecido. Apesar de eu fazer
parte do mundo dos esportes, me parece que a galera da
corrida/triatlhon não se identifica muito com o Audax, talvez por
ser mais um passeio do que uma prova competitiva. Aliás, importante
ressaltar isso: o Audax é um passeio, e seu maior concorrente é
você mesmo.
O fato de completar a prova dentro do limite de tempo
estabelecido é a grande vitória. Mesmo sem nenhum conhecido, estava
animada. O meu único medo era ter que pedalar sozinha em alguns
trechos que são extremamente perigosos na ilha. Pra ajudar, uns dias
antes da prova, um ciclista foi atropelado por um carro na SC 401 e
isso, infelizmente, tem se tornado comum aqui. A cidade é linda,
maravilhosa, amo de paixão, mas infelizmente tem pouca (muito pouca)
ciclovia. Mas essa já é uma questão para um outro assunto.
Bom,
no dia anterior ao Audax comi
tudo errado. Ao contrário das provas que participo que incluem
também a corrida (nas quais como apenas carboidrato, não como doce,
não como nada que possa me atrapalhar no momento da prova), no dia
anterior ao Audax comi chocolate, pizza de calabresa, amendoim,
sorvete. Tudo errado, mas por sorte isso não fez diferença alguma.
Ainda no dia anterior, fiz um check
list das
coisas que não poderia esquecer, sendo:
- 8 saches de carboidrato em gel;
- 10 barrinhas de cereal;
- BCAA;
- Câmaras de ar reserva;
- Bomba para pneu;
- Colete refletor;
- Lanternas e farol;
- Capacete;
- Luvas,
- Passaporte (dado pela comissão organizadora)
- Bermuda
- Camisa
- Pilhas reserva dos refletores
A largada.
A
largada era às 06h30, portanto tinha que chegar com pelo menos 30
minutos da largada, para realizar o check
in na
bike. Por sorte, moro perto do local da largada e por volta das 06h
já estava pronta para o desafio. Não tinham muitos participantes,
creio que no máximo uns 250, e eis que no meio de tanta gente,
encontrei um conhecido das corridas. Fui até ele e me animei em
saber que pelo menos nos km iniciais eu teria companhia (ele se
inscreveu no Desafio 100k).
O
dia já estava clareando quando a largada foi dada. Uma largada
simples, sem muito glamour.
Seguimos pela ciclovia da Beira Mar Norte (meus locais de treino)
sentido ponte para o continente. Fiquei decepcionada, pois as bikes
passaram por baixo da ponte (uma passarela que tem anexo à Ponte
Pedro Ivo). Minha expectativa era que a Ponte Colombo Sales tivesse
uma faixa fechada para que os ciclistas pudessem utilizá-la, como
foi em outras edições do Audax,
mas nessa, não aconteceu. Mesmo assim a passagem ilha continente
foi, como sempre, muito boa. O visual é deslumbrante e vale muito à
pena.
Os 50 primeiros kilometros.
Já
no continente, seguimos pela Beira Mar de São José, onde às 07h30
haveria a largada de uma prova de corrida de rua, na qual encontrei
vários amigos já se preparando. Um grito de "vamo lá" e
seguimos nossa viagem. Nesse ponto já percebia que o pelotão dos
ciclistas começava a se dispersar: muitos ficavam pra trás, muitos
voavam na frente. Eu e meu amigo ficamos creio que pelo meio, junto
de outros ciclistas que tinham o mesmo objetivo que nós: completar o
passeio bem, dentro do limite de tempo estabelecido. Pedalamos alguns
quilômetros pela rua lateral à BR 101 e, quando paramos no primeiro
posto, o sol já começava a dar as caras. A cada posto era
necessário entregar o passaporte para que os organizadores
carimbassem com o horário da passagem (no primeiro posto entendi o
porquê do plástico que vinha junto ao Kit. Meu passaporte chegou
ensopado de suor). Aproveitei para repor as energias com algumas
frutas, carboidrato e água, muita água. Continuamos a pedalada, já
sentido de volta à ponte. Já na ilha, seguimos pelo sul com o sol
pegando forte, mas ainda tranquilos, sem nenhum incomodo maior.
Transitamos pela ciclovia da Beira Mar Sul (que é bastante conhecida
por mim e pelas minhas magrelas, já que é caminho para meu
trabalho) e nesse momento o sol começava a judiar um pouco mais.
Lembro que estávamos a cerca de 50 km, ou seja, a metade do passeio
para meu amigo, e um quarto para mim. Seguimos pela rodovia do
Campeche, e mais a frente, na entrada da rodovia que segue para o Rio
Tavares, nos despedimos: a partir dali, o trajeto era diferente para
quem fizesse o Desafio 100k e o Audax 200k.
A primeira metade.
Me
vi sozinha. Alguns ciclistas que estavam atrás de nós seguiram em
frente, realizando o mesmo trajeto que meu amigo. Meu caminho era à
esquerda, numa rodovia simples, com poucos carros, um acostamento
mediano e bastante verde ao redor. Por sorte, por ser moradora da
ilha, conheço os muitos cantinhos da cidade, e isso ajuda muito o
psicológico. Afinal, acredite: provas de longa distância são muito
mais cabeça do que corpo.
Encarei
a rodovia sozinha. Poderia parar e esperar que algum ciclista
chegasse, mas achei melhor tocar em frente. Quando a rodovia me
possibilitou enxergar a frente, vi um pontinho colorido e apertei o
pedal para conseguir alcançá-lo. Era um homem de uns 60 anos sobre
uma bela MTB, com uma camisa de um grupo de pedal daqui de Floripa.
Cheguei mais perto e puxei conversa: esse novo amigo seria minha
companhia por todo o restante do percurso. E o melhor, ele já havia
feito o Audax 300 km, ou seja, supra-sumo da experiência.
Não
mais sozinha, segui ao encontro daquilo que eu diria ser o trajeto
mais cansativo e dolorido de todo o passeio. O Belíssimo Ribeirão
da Ilha, com suas casas históricas, praias lindas e seu charme
cultural, possui também, como parte de toda essa riqueza da ilha,
alguns quilômetros de calçamento de pedras e paralelepípedos que
acabam com qualquer bicicleta speed
e com os glúteos de qualquer ciclista. Tudo bem, tudo bem, eu sabia
do trajeto e escolhi a speed
por que quis, então, agüentei calada. Mas que doeu, doeu e a
velocidade média que estava, até então, perto dos 25km/h, caiu
para os pobres 10km/h. Ali eu já sabia que o tempo de conclusão do
passeio ia aumentar muito.
Não
sei exatos quantos km de calçamento passamos. Creio que uns 16 ao
todo, sendo que 8 para ir e 8 para voltar (chegamos num ponto final
na Caiera da Barra do Sul, onde os barcos saem para a Ponta do
Papagaio e de lá, após a comprovação e reposição das energias
no posto, voltamos pelo mesmo trajeto até o início do Ribeirão da
Ilha).
Nosso
trajeto agora era rumo ao Pântano do Sul, mas antes disso, uma
parada para reabastecer as energias com algo salgado. Paramos em uma
padaria e comi uma super coxinha de frango. Nesse momento o
cronometro da bike marcava 100 km. Metade já havia sido conquistada,
mas o solzão
do meio dia mostrava bem o que nos esperava nos 100 km finais.
Última metade
Após
o lanchinho, voltamos à pedalada. Sim, o sol estava muito forte e
isso era o maior dos obstáculos.
Continuamos sentido sul, e a cada
vez que eu olhava o mar e as belezas da natureza, resgatava forças
para continuar, mesmo com o sol extremamente forte. Chegamos ao
Pântano do Sul bastante cansados (pelo sol e pelo esforço do
calçamento do Ribeirão), mas muito felizes. O cansaço e felicidade
podiam ser vistos no rosto de todos que ali chegavam também: é o
tal do cansaço que satisfaz. Nessa altura do campeonato (e do sol),
tinha até um maluco tomando cerveja. Eu fiquei com a água.
Continuamos
nossa pedalada. Voltamos pelo caminho do Pântano do Sul, passando
pelo Morro das Pedras, sentido Rio Tavares. Foi um caminho muito
cansativo. Quando chegamos à Lagoa da Conceição, o corpo sofria um
pouco: o sol não dava uma trégua! Paramos, compramos água gelada,
tomamos carboidrato e fomos encarar a subida do Morro da Lagoa. A
subida foi tranqüila, a descida melhor ainda. A Praia Mole estava
lotada, mas o transito de carros não estava tão ruim. A descida da
Barra da Lagoa foi deliciosa: 75 km/h de puro ar na cara e muita
disposição de viver.
Devia ser aproximadamente umas 14h (não lembro precisamente o horário), quando seguimos pela rodovia da Barra da Lagoa, sentido Moçambique – Rio Vermelho. Creio esse ter sido o trajeto mais eterno de minha vida, mas vencemos também. Ao chegar ao Rio Vermelho paramos em uma pseudo loja de conveniência que tinha de tudo: desde lustre até banana. O lugar era bem feio. O banheiro tinha duas portas: uma de vidro e uma de madeira que dava pra cozinha. Fiz xixi olhando pela porta de vidro, torcendo que ninguém passasse por ali. Engraçado que enquanto eu estava no banheiro, a dona do pseudo estabelecimento bateu na porta de madeira e queria que eu abrisse para ela colocar a toalha de mão. Coisa de louco.
Saímos
de lá vivos, já que a água gelada era boa, e carregamos conosco
mais dois amigos que também estavam reabastecendo as energias no
local. Eram dois garotos novos, sendo que um já havia concluído o
Audax
200k e o outro estava tão ansioso quanto eu para completar o
primeiro.
Continuamos
nossa pedalada, agora em quarteto. O sol, adivinhem: castigava!
Quando
chegávamos perto do Ingleses uma ambulância passou por nós,
sentido contrário. Ninguém falou nada, mas tenho certeza que todos
nós, por dentro, rezamos para que nada de ruim tivesse acontecido
com algum ciclista.
Quando chegamos ao Ingleses, um estouro em uma das bicicletas fez acabar com o sonho de um dos amigos que me acompanhavam. A corrente da bicicleta do garoto que estava ansioso para completar o primeiro Audax estourou, e a prova acabou ali para ele. Por sorte, o carro da organização, que vez ou outra passava por nós, estava ali por perto e o levou até o próximo posto.
Quando
chegamos em Canasvieiras soubemos que a Ambulância que havia passado
por nós, infelizmente, estava a caminho do resgate de um ciclista
que estava parado, descansando, quando um bêbado assassino, armado
de seu carro, bateu contra ele. Por sorte nada de grave aconteceu com
o ciclista. E provavelmente o bêbado deve hoje andar solto pelas
ruas, como acontece em quase todos os casos de atropelamento aqui na
ilha.
Nesse
posto os participantes já estavam muito animados e comigo não era
diferente. Faltavam pouco mais de 30 km para o final do percurso. O
sol, apesar de ainda forte, já não judiava mais tanto. Continuamos
sentido Jurerê Internacional (último posto), e o trânsito nesse
momento estava bastante intenso. Saímos do posto por volta das 17h,
e fomos sentido SC401, local onde são realizados muitos treinos
diários, mas que, infelizmente, (e por total descaso dos órgãos
competentes) não há infraestrutura para tal. A volta foi tranqüila,
apesar do forte movimento de carros voltando das praias do norte.
Quando chegamos perto do local de partida, percebi que a corrente da
minha bicicleta estava bastante larga e o cambio parecia estar
desmontando, talvez pelo efeito do Ribeirão da Ilha. Por sorte,
só percebi isso quando faltavam menos de 400 metros para o final.
Sorte, pois, como disse antes,
o psicológico manda e muito.
Terminei
os 200 km em 11 horas e 26 minutos, abaixo do tempo esperado para
conclusão do percurso. Minha ideia era conseguir abaixo das 10
horas, mas os obstáculos do Ribeirão da Ilha e o sol forte me
impediram de conseguir. Para o Iron
Man, que
pretendo fazer em 2014 ou 2015, a média feminina que pretendo
seguir, de conclusão da parte da bicicleta, é de aproximadamente 7
horas. Claro que são situações diferentes: bike diferente, solo
diferente, treino diferente, clima diferente, trajeto diferente,
quilometragem diferente. Mas já sei que tenho que melhorar bastante.
O que achei da prova:
Prós:
- É um passeio e não uma prova. Você está ali para vencer a si mesmo. Eu venci;
- Ter conseguido o Brevet dos 200k me dá o direito de participar no de 300k. Talvez eu encare.
- Floripa dispensa comentários. O cenário da prova é digno de aplausos e sorrisos, mesmos quando os glúteos doem no calçamento do Ribeirão da Ilha.
- Você fará, com certeza, mais amigos;
- A sensação de conquistar e superar seus próprios limites é boa demais.
Contras:
- Não senti segurança nenhuma. Existem alguns trechos da ilha que são muito perigosos e que são contemplados pelo trajeto do Audax. Estou acostumada com provas de corrida e triátlon onde existe sinalização, alteração de transito e staffs que trabalham para o evento ocorra sem maiores problemas. Senti falta disso, pois o tempo todo pedalei como se estivesse pedalando por si mesma, como faço sempre.
- Paguei quase R$ 200,00, ganhei uma camiseta, uma medalha e um certificado. Acho que os organizadores das provas (e isso se encaixa perfeitamente aos organizadores de provas de corrida a pé, também) devem repensar os valores cobrados.
- Faltou um local pra tirar foto com a medalha, um portal de largada e chegada. Nessa edição, não tinha nada disso.
No mais, vale muito a pena. Se você mora ou conhece Floripa, sabe do que estou falando. Se não conhece, vai se surpreender com nossa ilha maravilhosa.
Como
disse antes, pretendo no ano de 2014 ou 2015, participar e concluir o
Iron Man.
São 3,800 mts de natação, 180km de bike e 42km de corrida
(maratona). O Audax
me serviu como base para as dificuldades que poderei encontrar no
caminho.
Corri
duas maratonas de Santa Catarina (2011 e 2012), e várias outras
provas de menor distancia. Sou persistente no que faço e sei que, em
muitas vezes, a minha teimosia e força de vontade fala mais alto
quando o físico já não agüentar mais falar. Acho que isso é o
que muda tudo: a garra, a vontade, a persistência. Por que por mais
que doa, por mais que canse, por mais que seja sofrido, nada paga a
sensação de ter conseguido chegar lá. E como já diz o ditado: o
sofrimento é passageiro, a conquista é permanente.
Um
grande abraço.
Kelly Priscila Franzoni
Meu
sonho é concluir um IronMan e
pretendo alcançar esse sonho em breve.
Para saber mais:
Audax no wikipedia
Site oficial do Audax Brasil
Site oficial do Audax Frances (que deu origem a série)
Proximos Audax
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